Na terceira semana de novembro de 2025, o Bitcoin rompeu para baixo da região de US$ 90 mil pela primeira vez em sete meses.
Em vez de um mercado apático, os dados on-chain mostraram exatamente o contrário: uma explosão histórica de atividade das baleias, que ficou conhecida como “semana da baleia do Bitcoin”:
- Mais de 102.000 transações acima de US$ 100.000;
- Cerca de 29.000 transações acima de US$ 1 milhão em poucos dias;
- Analistas apontando que essa pode ter sido a semana de baleias mais ativa de 2025.
Enquanto o varejo via o preço despencar e muitos realizavam prejuízo, os grandes jogadores se mexiam em silêncio e em tamanho.
A pergunta é: isso foi distribuição (baleia realizando lucro) ou acumulação (baleia comprando sua venda no pânico)?
É isso que vamos destrinchar.
O que foi, na prática, a semana da baleia do Bitcoin
Os números que chamaram atenção
Dados de casas como Santiment, Glassnode e relatos em portais de mercado mostram o seguinte quadro:
- Mais de 102k transações acima de US$ 100 mil e cerca de 29k acima de US$ 1 milhão em uma única semana, num patamar que alguns relatórios classificam como pico de 2025;
- Essa onda coincidiu diretamente com o momento em que o BTC perdeu os US$ 90k e testou regiões na casa dos US$ 86 a 88 mil, após cair cerca de 30% do topo acima de US$ 120k.
Ou seja: não é só “uma baleia moveu fundos”.
Foi um enxame coordenado de grandes carteiras aproveitando exatamente a janela de maior medo.
O pano de fundo: correção forte + sentimento frágil
Na mesma semana:
- ETFs de Bitcoin registraram fortes saídas de capital, reforçando a narrativa de “institucional reduzindo risco”;
- Dados de sentimento mostravam capitulação de curto prazo, com milhares de BTC sendo vendidos com prejuízo por holders recentes.
É nesse cenário que a semana da baleia do Bitcoin ganha peso: baleias não se mexeram em qualquer momento, e sim no pico de estresse do varejo.
Duas leituras para a semana da baleia: FUD x “buy the dip”
1. A visão pessimista: baleias distribuindo e realizando lucro
A primeira leitura é a mais óbvia:
- Depois de uma alta forte até a faixa dos US$ 120 a 126 mil, muitos grandes players estariam realizando lucro;
- Parte das transações de grande porte teria ido para exchanges, o que costuma indicar pressão potencial de venda;
- Saídas de ETFs reforçam a tese de que institucionais de curto prazo estão reduzindo exposição, preferindo juros altos e ativos menos voláteis.
Nessa interpretação, a semana da baleia do Bitcoin seria um grande evento de distribuição na baixa: baleias aproveitando ainda um preço “caro” em relação aos custos de entrada anteriores.
2. A visão otimista: baleias acumulando com desconto
A segunda leitura, porém, vem de outros dados on-chain:
- A quantidade de carteiras com 1.000 BTC ou mais subiu para um patamar de alta recente, sugerindo aumento no número de grandes holders;
Essa visão enxerga a semana da baleia do Bitcoin como:
“Os pequenos vendem pelo medo, os grandes compram com base em assimetria de longo prazo.”
Na prática, a realidade costuma ser um mix das duas coisas:
baleias de curto prazo zerando posição e baleias mais pacientes absorvendo essas vendas.
O que a semana da baleia do Bitcoin sinaliza sobre o ciclo atual
Varejo capitula, baleia reposiciona
Quando você cruza:
- recorde de transações gigantes;
- queda forte de preço;
- aumento de grandes carteiras;
- realização de prejuízo por holders de curto prazo;
…fica claro um padrão típico de ciclo:
- Varejo compra mal, perto de topo, alavancado ou sem plano;
- Quando o preço volta forte, vende em desespero e realiza prejuízo;
- Baleias com caixa e paciência usam a liquidez gerada pelo pânico para recompor posição.
Não significa que o fundo absoluto já foi, mas mostra uma redistribuição de risco:
- menos BTC na mão de holders frágeis;
- mais BTC concentrado em players com maior capacidade de aguentar volatilidade.
Suportes, resistências e zonas “da baleia”
A semana da baleia do Bitcoin também ajuda a mapear zonas importantes:
- Se boa parte da acumulação ocorreu abaixo de US$ 90k, essa faixa tende a ser uma região psicológica forte para grandes players;
- Se o preço voltar a testar essa zona, vale observar se os dados de baleias repetem o padrão de entrada forte, ou se, ao contrário, mostram saída o que poderia abrir espaço para uma correção ainda mais profunda.
Para o trader/investidor, isso não é um call de compra/venda, e sim um mapa de contexto.
Como um trader ou investidor brasileiro pode usar (sem se iludir) a semana da baleia do Bitcoin
1. Não copie baleia, leia baleia
A primeira regra: não dá para simplesmente copiar o que baleias fazem.
- Você não sabe se a transação é hedge, rebalanceamento, OTC, entrada ou saída;
- Baleias operam com níveis de informação, crédito, derivativos e prazos muito diferentes do varejo.
O papel da semana da baleia do Bitcoin é outro:
- Mostrar onde o jogo grande está sendo jogado;
- Indicar se os grandes estão aumentando ou reduzindo risco nesse tipo de patamar de preço.
2. Use atividade de baleias como camada extra na sua análise
Alguns usos práticos:
- Se você é investidor de médio/longo prazo, pode usar a leitura de acumulação de baleias como confirmação de que a queda está sendo absorvida por players fortes – mas sempre dentro de uma estratégia de DCA e exposição total controlada.
- Se você é trader, a semana da baleia do Bitcoin serve como alerta de volatilidade extrema: movimentação intensa de grandes carteiras tende a ampliar range, wicks e stop hunts.
Em ambos os casos:
- A palavra-chave continua sendo gestão de risco, não “seguir baleia”.
3. Lembre que baleia também erra (e você não tem o mesmo horizonte)
Mesmo com dados sugerindo acumulação embaixo:
- Nada impede que o preço ainda explore regiões mais baixas (por exemplo, zonas entre US$ 75k e US$ 85k, que alguns modelos de drawdown consideram plausíveis).
- Baleias podem estar pensando em 5 a 10 anos, enquanto você talvez esteja olhando para 5 dias.
Por isso, a semana da baleia do Bitcoin é um dado poderoso, mas não substitui:
- planejamento de posição;
- stop técnico;
- visão realista do seu horizonte e tolerância a risco.
FAQ – Perguntas sobre a semana da baleia do Bitcoin
1. O que é a semana da baleia do Bitcoin?
É o período em novembro de 2025 em que o BTC caiu abaixo de US$ 90 mil e a rede registrou mais de 102 mil transações acima de US$ 100 mil e cerca de 29 mil acima de US$ 1 milhão, possivelmente o maior nível de atividade de baleias do ano.
2. A semana da baleia do Bitcoin quer dizer que o fundo já foi?
Não necessariamente. A atividade recorde mostra reorganização de posições, não garantia de fundo. Ela pode marcar início de fase de acumulação, mas o preço ainda pode explorar níveis mais baixos antes de consolidar.
3. As baleias estiveram mais vendendo ou comprando nessa semana?
Os dados indicam um cenário misto, mas com tendência de mudança de dumping para acumulação: aumento em carteiras grandes e análises apontando para “buy the dip” por parte dos maiores holders.
4. Como acompanhar a próxima “semana da baleia do Bitcoin”?
Você pode monitorar:
- relatórios de plataformas on-chain (Santiment, Glassnode etc.);
- sites e notícias que publiquem números de transações acima de US$ 100 mil e US$ 1 milhão;
- alertas de grandes movimentações entre carteiras e exchanges.
5. Seguir baleias é uma estratégia segura?
Seguir baleias sem entender o contexto não é estratégia a é aposta. Elas podem estar apenas movendo fundos, fazendo hedge ou distribuição planejada. Use a atividade delas como informação complementar, não como sinal automático de entrada.
Conclusão: qual é o recado da semana da baleia do Bitcoin?
A semana da baleia do Bitcoin mostra que:
- Quando o varejo entra em medo extremo, as maiores carteiras não ficam paradas;
- Grandes movimentos de preço, como a queda abaixo de US$ 90 mil, são justamente os momentos em que bilhões em BTC trocam de mãos;
- Os dados apontam para um cenário em que muitos pequenos venderam no pânico, enquanto grandes players reorganizaram e, em boa parte, ampliaram posição.
Para você, o recado é simples:
- Use a palavra-chave foco “semana da baleia do Bitcoin” como conceito-guia para entender esse episódio;
- Trate baleias como termômetro de ciclo, não como oráculo infalível;
- Continue colocando gestão de risco e horizonte de tempo na frente de qualquer narrativa — inclusive a das baleias.



