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Licenças de ativos virtuais em Hong Kong: por que “licença + custódia” virou a nova vantagem competitiva

Meta description: Licenças de ativos virtuais em Hong Kong avançam para dealing e custódia, com foco em chaves privadas, compliance e segurança do investidor.

Introdução

Hong Kong está deixando cada vez menos espaço para o “cripto informal”. Ao publicar as conclusões da consulta e avançar com um regime de licenças para VA dealing e custódia, o centro financeiro dá um recado: a próxima fase do mercado digital não será vencida por marketing, e sim por infraestrutura padronizada, supervisão e proteção do ativo do cliente.

O ponto mais importante do movimento é o foco declarado no que realmente quebra custódia no mundo cripto: o risco das chaves privadas. Em outras palavras, o regulador está desenhando regras a partir do “núcleo do risco”, e não de conceitos genéricos.

O que significa “VA dealing” e por que isso entra no perímetro agora

“VA dealing” é, na prática, a atividade de intermediar negociações e acordos de compra e venda de ativos virtuais. O desenho proposto mira quem, “por via de negócio”, faz ou oferece acordos, ou induz outra pessoa a entrar em acordos, com objetivo de adquirir ou dispor de VAs.

O passo é estratégico porque amplia a regulação para além das plataformas de negociação já licenciadas. O objetivo é cobrir mais do “meio do caminho” da distribuição, onde muitas vezes estão OTCs, brokers e canais que conectam varejo e instituições.

A lógica regulatória: “mesma atividade, mesmos riscos, mesma regulação”

Um trecho que explica bem a direção é a decisão de alinhar o escopo do regime de VA dealing ao escopo do Tipo 1 (dealing in securities), que já existe no arcabouço regulatório local. Isso não é detalhe técnico: é a forma de padronizar expectativa de conduta e reduzir brechas de arbitragem regulatória.

Na prática, Hong Kong está dizendo que a intermediação em ativos virtuais precisa se parecer, em disciplina, com a intermediação tradicional.

O que fica mais claro para o mercado com esse alinhamento

Algumas implicações diretas do alinhamento com “Tipo 1”:

  • o mercado ganha um padrão mais previsível de licenciamento e supervisão
  • “dealing” deixa de ser uma zona cinzenta e passa a exigir governança real
  • empresas passam a competir em compliance e capacidade operacional, não apenas em taxa

Por que custódia virou o centro do debate

Custódia é onde o risco vira concreto. Quando há falha de custódia, o dano não é teórico: é perda, transferência não autorizada, disputa de propriedade e colapso de confiança.

O governo e o regulador colocaram isso de forma objetiva: o regime de custodiantes deve mirar entidades que guardam chaves privadas (ou instrumentos similares), porque esse é o “core risk” de custódia de VA.

O que entra no escopo de custódia

O desenho indicado abrange quem salvaguarda qualquer instrumento que permita transferir ativos virtuais, não apenas um modelo específico de carteira. Isso é importante porque o mercado evoluiu para arquiteturas como multiassinatura e MPC, em que “quem controla o poder de assinar” pode estar distribuído em processos e sistemas.

O foco em chaves privadas muda a régua de “segurança”

Quando o regulador diz que a chave privada é o núcleo do risco, ele está, na prática, definindo o que será cobrado como mínimo de maturidade operacional:

  • controles de acesso e segregação de funções
  • processos de geração, armazenamento e recuperação
  • gestão de incidentes e resposta a falhas
  • governança sobre quem pode iniciar, aprovar e assinar transferências

Essa abordagem tende a elevar o nível de exigência e, ao mesmo tempo, reduzir espaço para “custódia de fachada”.

Quem precisa ser “relevante” dentro de uma estrutura de custódia

Um ponto sensível em qualquer regime de custódia é o fator humano. O texto deixa claro que indivíduos com acesso material às chaves ou capacidade de assinar transações representam risco significativo e, por isso, entram no radar de exigências de adequação (“fit and proper”) e controles.

Isso reforça a tese: custódia não é só tecnologia. É processo, pessoas, auditoria e disciplina.

Proibição de marketing por não licenciados: por que isso importa

Outro elemento que costuma mudar a dinâmica competitiva é restringir a atuação promocional de quem está fora do perímetro. A direção apresentada é impedir que não licenciados/registrados “vendam” esses serviços para o público local, reduzindo o incentivo de operar à margem e elevando o custo do “mercado cinza”.

Para o investidor, isso tende a criar um filtro melhor de risco de contraparte. Para o setor, aumenta barreira de entrada.

Exigência de usar custodiantes regulados: o desenho que padroniza a infraestrutura

Um ponto com impacto sistêmico é o caminho regulatório sugerido de empurrar atividades licenciadas a utilizarem custodiantes regulados para guardar ativos de clientes. Isso “amarra” o ecossistema: quem quer distribuir produto precisa se conectar a um backbone de custódia aprovado.

Esse tipo de amarração costuma:

  • reduzir risco de perdas por práticas frágeis
  • acelerar padronização de controles
  • concentrar o mercado em provedores mais robustos

Implementação e transição: o risco do “começa valendo”

Em regimes novos, muita gente espera “licença automática” para quem já opera. Aqui, a direção indicada para custódia é não criar um “deeming arrangement” (uma autorização presumida), preferindo que o regime passe a valer plenamente quando a lei começar, com escolha cuidadosa da data de início para permitir adaptação.

Na prática, isso aumenta urgência para quem opera hoje: ou se adapta rapidamente, ou fica fora.

Por que Hong Kong quer padronizar agora

A leitura estratégica é que Hong Kong quer consolidar sua posição como hub com “manual” claro: mais produto, mais distribuição e mais capital institucional exigem um arcabouço onde o risco de custódia e intermediação seja tratável.

A vantagem competitiva, nesse cenário, deixa de ser “ser o primeiro” e vira “ser o mais confiável e mais fácil de supervisionar”.

O que isso muda para o mercado global e para quem opera do Brasil

Mesmo para brasileiros, a mensagem é útil:

  • a indústria caminha para padrões mais parecidos com mercado financeiro tradicional
  • custodiante e intermediário passam a ser parte central do risco (e da escolha)
  • o custo de compliance tende a subir e a concorrência pode reduzir

Para quem investe em cripto, isso não significa menos volatilidade de preço automaticamente. Mas tende a significar que o risco operacional (custódia, fraude, contraparte) passa a ser tratado com mais seriedade em hubs relevantes.

Riscos e cuidados para o investidor

Mesmo com padronização, ainda há riscos:

  • cripto é altamente volátil e pode ter quedas fortes em curto período
  • produtos e intermediários podem falhar operacionalmente
  • mudanças regulatórias podem alterar acesso, custos e liquidez

Gestão de risco continua essencial: tamanho de posição, diversificação e clareza sobre custódia e contraparte.

FAQ

O que são licenças de ativos virtuais em Hong Kong para dealing e custódia?

É um regime para licenciar e supervisionar intermediários de negociação (dealing) e prestadores de custódia, com regras específicas de conduta e segurança.

Por que o foco em chaves privadas aparece como prioridade?

Porque a guarda de chaves privadas é o núcleo do risco de custódia: falhas podem causar perda ou transferência não autorizada de ativos.

O que muda com o alinhamento do dealing ao “Tipo 1”?

Cria um padrão mais próximo da intermediação tradicional, com expectativa de governança e supervisão comparável ao mercado de valores mobiliários.

Isso elimina riscos para quem investe em cripto?

Não. Reduz alguns riscos de contraparte e operação, mas volatilidade e risco de mercado continuam altos.

Por que essa agenda favorece empresas maiores?

Porque compliance, segurança e auditoria exigem investimento. Isso eleva barreira de entrada e tende a concentrar o mercado.

Conclusão

Hong Kong está reforçando uma tese que deve se espalhar por outros centros: a nova vantagem competitiva é licença + custódia. Quem dominar chaves privadas com governança, controles e capacidade de supervisão tende a ganhar distribuição, confiança e acesso institucional.

Diego Alberto

Diego Alberto

Escritor

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