Meta description: TRM Labs aponta recorde de fluxos ilícitos em 2025 e mudança de padrão. Entenda sanções, stablecoins, lavagem e o impacto no compliance multichain.
O “crime cripto” não some: ele muda de formato e pressiona a infraestrutura
Quando a TRM Labs estima fluxos ilícitos recordes em 2025, o ponto mais relevante não é apenas o tamanho do número é a mudança de padrão: sanções, stablecoins e novas rotas de lavagem passaram a operar com mais cara de “infraestrutura”, e não de evento pontual. Isso empurra o mercado digital para um novo patamar de exigência em compliance, monitoramento e controles multichain.
Importante: cripto é um ambiente de alto risco. Além da volatilidade de mercado, riscos operacionais (golpes, falhas de custódia e engenharia social) podem gerar perdas difíceis de reverter. Em paralelo, o aumento de enforcement e de regras pode alterar liquidez e disponibilidade de serviços rapidamente.
O que aconteceu
A TRM divulgou um primeiro recorte do seu relatório de crime cripto, apontando US$ 158 bilhões em fluxos ilícitos em 2025, um recorde que reverte uma tendência de queda de anos anteriores. A leitura apresentada destaca que o salto não se explica apenas por “mais atividade”, mas também por novas designações de entidades sancionadas e melhoria de atribuição (identificação) de endereços ligados a atores já sancionados.
Ao mesmo tempo, a TRM contextualiza que, proporcionalmente, ilícitos podem representar uma fatia menor dos fluxos “novos” entrando em VASPs (provedores de serviço), mesmo com alta em termos absolutos um sinal de que o mercado cresce e profissionaliza controles, mas ainda convive com grandes bolsões de risco.
Por que isso importa
Esse tema mexe em três alavancas que determinam o ritmo de adoção do mercado digital:
- Prêmio de risco: quanto mais risco de sanções e lavagem, mais caro fica operar e captar
- Custo operacional: monitorar multichain, rastrear stablecoins e manter trilhas de auditoria custa caro
- Distribuição: bancos, fintechs e empresas só escalam integração quando conseguem provar controles e governança
Em outras palavras, o “mercado” passa a precificar não só tecnologia, mas a capacidade de operar com regras e fiscalização.
O que mudou no padrão em 2025
A mudança de padrão pode ser resumida em uma frase: o ilícito está menos “escondido” e mais “estruturado”.
Sanções como motor de volume
A TRM ressalta que parte relevante do aumento veio do efeito combinado de sanções e melhor atribuição de endereços já conectados a atores sancionados. Isso muda a leitura do setor porque sanções não são “ruído”: elas redefinem o que exchanges, provedores de pagamento e protocolos podem ou não tocar sem risco de contaminação.
Stablecoins como camada preferida para movimentação
Stablecoins aparecem como peça central porque são eficientes para transferência, liquidação e “ponte” entre redes e serviços. Em casos recentes, análises públicas ligaram o uso de USDT em redes específicas a rotas de evasão, reforçando por que o monitoramento de stablecoins virou prioridade operacional.
Lavagem multichain e rotas mais fragmentadas
O modelo “uma rede, um mixer, acabou” perdeu espaço. O padrão moderno tende a envolver:
- fragmentação de valores em múltiplas carteiras
- saltos entre redes (bridges, swaps, serviços)
- passagem por camadas com liquidez e infraestrutura de saída
Isso aumenta a complexidade do rastreamento e eleva a necessidade de correlação entre sinais.
Por que compliance multichain vira obrigatoriedade
Na prática, “multichain” deixou de ser escolha de produto e virou realidade operacional. Se o fluxo pode passar por várias redes, a empresa precisa:
- consolidar risco por identidade e entidade, não só por endereço
- monitorar padrões comportamentais (clusterização, timing, rotas)
- integrar regras de sanções, listas internas e políticas por jurisdição
- manter trilha auditável para bancos, parceiros e reguladores
Esse pacote tem um custo — e o mercado tende a repassar custo para o usuário em forma de fricção, limites, bloqueios e exigências de verificação.
Impacto direto para exchanges, fintechs e provedores de pagamento
O efeito mais imediato costuma aparecer em quatro pontos.
KYC/AML mais profundo e contínuo
O modelo “cadastro uma vez e pronto” perde força. A tendência é de reavaliação contínua, monitoramento de comportamento e revisão por eventos de risco.
Monitoramento transacional mais caro e mais sensível
Mais alertas, mais falsos positivos, mais necessidade de time e automação. Quem não tem infraestrutura, escala mal.
Pressão por governança de listagem e exposição
Ativos, pares e rotas com maior risco de sanções ou lavagem tendem a ficar mais caros de suportar e, em alguns casos, menos disponíveis.
Risco de contraparte e de “contaminação”
Uma integração errada pode virar problema sistêmico: bancos e parceiros tendem a ser conservadores quando o assunto é sanções.
O que isso significa para o investidor e para o varejo
Para o investidor pessoa física, a implicação é prática:
- mais travas e exigências de verificação em certos fluxos
- mais risco de congelamento/atraso em operações “cinzentas”
- necessidade maior de higiene operacional (custódia, permissões, golpes)
E um alerta importante: “estar em stablecoin” não zera risco. Existe risco de emissor, de plataforma, de jurisdição e de compliance.
Como o setor pode responder sem matar a inovação
O caminho mais realista é evolução de infraestrutura, não “proibição”.
Automação e padronização de controles
Ferramentas melhores de triagem, scoring e investigação reduzem custo marginal e melhoram a taxa de acerto.
Separação de trilhos e produtos
Empresas tendem a separar produtos de maior risco (onboarding mais rígido, limites menores) de trilhos institucionais (mais auditoria e governança).
UX com compliance embutido
A experiência do usuário precisa esconder complexidade sem esconder risco: avisos claros, validações inteligentes e prevenção de golpes.
FAQ
O que a TRM Labs apontou sobre fluxos ilícitos em 2025?
A TRM indicou um recorde de US$ 158 bilhões em fluxos ilícitos em 2025 e destacou mudanças de padrão ligadas a sanções, stablecoins e melhor atribuição de endereços.
Por que stablecoins aparecem tanto nesses relatórios?
Porque stablecoins são eficientes para movimentação e liquidação e acabam sendo usadas tanto em fluxos legítimos quanto em rotas ilícitas, exigindo monitoramento mais rigoroso.
O que significa “monitoramento multichain” na prática?
Significa acompanhar risco e padrões de transação atravessando várias redes, correlacionando endereços, entidades, rotas e comportamento para detectar lavagem e exposição a sanções.
Isso vai afetar usuários comuns?
Sim. A tendência é mais fricção, mais verificações e mais limites em fluxos de maior risco, além de maior fiscalização sobre rotas e contrapartes.
O aumento do compliance é bom ou ruim para o mercado?
É ambíguo. Aumenta custo e fricção no curto prazo, mas melhora previsibilidade e viabiliza adoção institucional e integrações mais estáveis no longo prazo.
Conclusão
O recorde de fluxos ilícitos estimado pela TRM Labs em 2025 reforça uma virada de fase: o risco não está só no preço do ativo, mas na infraestrutura de conformidade que sustenta o mercado. Sanções, stablecoins e rotas multichain estão elevando o custo operacional e pressionando exchanges, fintechs e provedores a profissionalizar controles. Para quem investe e opera, a leitura mais inteligente é a mesma de sempre: cripto pode oferecer oportunidades, mas exige disciplina, gestão de risco e atenção ao risco de contraparte e compliance.



