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Event contracts e opções binárias 2.0: por que o varejo enlouqueceu e Wall Street entrou no jogo

Prediction markets e opções binárias se encontraram em 2025: varejo operando bilhões em event contracts em apps como Robinhood, enquanto ICE, CME e Cboe transformam o payoff binário em infraestrutura institucional. Entenda o boom, os riscos e o que muda para você


Em 2025, o que era nicho virou febre.

A Robinhood divulgou que, em apenas um ano, seus prediction markets se tornaram a linha de produto que mais cresce em receita: 9 bilhões de contratos negociados por mais de 1 milhão de clientes, desde o lançamento, fazendo dessa vertical uma das principais engrenagens do faturamento da corretora.

Do outro lado, exchanges reguladas como Kalshi e plataformas cripto como Polymarket registram recordes de volume mensal em contratos de “sim/não”, enquanto a Crypto.com oferece “Prediction Trading” regulado pela CFTC, com decisões simples de Yes/No sobre eventos políticos, econômicos ou esportivos.

Ao mesmo tempo, o lado institucional acelera:

  • a ICE, dona da NYSE, anunciou investimento de até US$ 2 bilhões na Polymarket, avaliando a empresa em cerca de US$ 8 bilhões;
  • a CME prepara plataformas de prediction markets, inclusive em parceria com a FanDuel;
  • a Cboe comunicou que vai lançar seus próprios event contracts focados em dados financeiros;
  • e a Robinhood, em conjunto com a Susquehanna, fechou acordo para comprar 90% da LedgerX, uma exchange de derivativos regulada, para montar sua própria bolsa de futuros e contracts de evento.

O que está acontecendo aqui?

Na prática, o payoff das opções binárias – ganhar ou perder tudo dependendo de um evento – reapareceu com outro nome (prediction markets, event contracts) e, agora, está sendo abraçado simultaneamente pelo varejo “degen” e por Wall Street.

No próximo tópico, você vai ver por que prediction markets e opções binárias são primos muito próximos – e como isso está mudando o jogo.


1. Prediction markets e opções binárias: o que são e por que parecem tão parecidos

1.1 O DNA binário dos event contracts

Do ponto de vista de payoff, um event contract é quase idêntico a uma opção binária:

  • você compra um contrato baseado numa pergunta do tipo “Sim/Não” (por exemplo, “o Fed vai cortar juros na próxima reunião?”);
  • se o evento acontece, o contrato paga 1 (ou 100);
  • se não acontece, paga 0 – ou o valor residual equivalente.

Reportagens recentes e a própria CFTC definem event contracts como formas de binary option baseadas em pergunta objetiva sobre um evento do mundo real.

A diferença não está no formato econômico, mas em:

  • onde eles são listados (exchange regulada x OTC offshore x app cripto);
  • como são vendidos (hedge/gestão de risco x aposta entre amigos x “ganhe 80% em 5 minutos”);
  • quem supervisiona (CFTC, autoridades de gambling, ninguém).

Ou seja: quando falamos de prediction markets e opções binárias, na prática estamos falando de payoffs binários similares, colocados em embalagens regulatórias e de marketing diferentes.


2. Tema 1 – Varejo enlouquecido com event contracts: o “cassino de mercado” nos apps de trading

2.1 Robinhood: 9 bilhões de contratos e 1 milhão de clientes em 1 ano

A virada mais simbólica veio da Robinhood.

Em comunicados oficiais e análises de mercado, a empresa relata que:

  • em cerca de um ano de operação, seu produto de prediction markets já viu 9 bilhões de contratos negociados por mais de 1 milhão de clientes;
  • a parceria com a Kalshi, exchange de event contracts regulada pela CFTC, já gera dezenas de milhões de dólares em receita trimestral;
  • os prediction markets se tornaram uma das linhas que mais contribuem para diversificar o mix de receitas da corretora, ao lado de opções, cripto e juros sobre caixa.

O que isso revela sobre o comportamento do varejo?

  • Frequência alta de trade: contratos menores, baratos, com resultado rápido;
  • gamificação: UX simples (botão “sim” / “não”), temas de política, esportes, clima, celebridades;
  • componente emocional forte: parecido com binárias clássicas, mas com storytelling de “apostar na sua opinião sobre o mundo”.

É o modelo “operação pequena, emocional e recorrente” – receita perfeita para comportamento degen se a pessoa não tiver nenhum filtro de gestão de risco.


2.2 Kalshi, Polymarket e Crypto.com: volume, hype e zona cinzenta regulatória

A Robinhood não está sozinha.

  • A Kalshi é hoje uma DCM (Designated Contract Market) aprovada pela CFTC, com foco em contratos de evento sobre inflação, eleições, dados macro e, em algumas tentativas, esportes. Em outubro de 2025, a plataforma superou US$ 4,39 bilhões em volume acumulado, com recordes de traders ativos e milhares de mercados criados.
  • A Polymarket, que foi punida pela CFTC em 2022 por operar derivativos sem registro, se reorganizou e, via QCX/Polymarket US, recebeu ordem de designação como DCM e um Amended Order permitindo acesso intermediado por corretoras a contratos de evento regulados.
  • A Crypto.com lançou “Prediction Trading” e “Sports Event Trading” como recursos de derivativos regulados pela CFTC na sua unidade norte-americana, permitindo que o usuário tome decisões de Yes/No sobre eventos globais ou esportivos diretamente dentro do app.

Ao mesmo tempo, a zona cinzenta regulatória aparece com força:

  • um juiz federal em Nevada decidiu que Kalshi e Crypto.com se sujeitam às leis estaduais de gambling quando oferecem contratos sobre esportes, mesmo sendo DCMs ou entidades sob supervisão da CFTC;
  • isso obriga plataformas a suspender contratos em certos estados e reabrir a discussão sobre “derivativo x aposta esportiva”.

Para o usuário final, o efeito é mais simples:

você tem, na tela do celular, algo que parece aposta esportiva,
mas é vendido como produto financeiro, com o mesmo payoff binário clássico.

Sem gestão de risco, o caminho para virar degen de app é curto.


3. Tema 2 – Wall Street abraçando o payoff binário: ICE, CME, Cboe e Robinhood + Susquehanna

Se o lado B2C está com cara de cassino de eventos, o lado institucional está montando infraestrutura pesada para esse payoff binário.

3.1 ICE + Polymarket: 2 bilhões de dólares para transformar dados de evento em ativo

Em outubro de 2025, a Intercontinental Exchange (ICE) – dona da NYSE – anunciou um investimento de até US$ 2 bilhões na Polymarket, em um acordo que avalia a empresa em aproximadamente US$ 8 bilhões pré-money.

Segundo a ICE, o objetivo é:

  • tornar-se distribuidora global dos dados de evento gerados pelos mercados da Polymarket;
  • usar esses dados como indicadores de probabilidade para clientes institucionais em temas de política, economia, esportes e cultura;
  • explorar projetos conjuntos de tokenização e novos produtos baseados em eventos.

Na prática:

  • as cotações dos prediction markets deixam de ser só “preço para aposta” e viram insumo informacional para bancos, fundos, mesas de derivativos e até jornalistas;
  • o payoff binário vira fábrica de dados, não apenas jogo de soma zero entre trader e casa.

3.2 Robinhood + Susquehanna + LedgerX: construindo a “bolsa do novo binário”

No fim de novembro de 2025, a Reuters revelou que a Robinhood e a Susquehanna International Group fecharam acordo para comprar 90% da LedgerX, uma exchange de derivativos regulada pela CFTC e ex-FTX, hoje operada pela MIAX.

O plano:

  • usar a LedgerX (também referida como MIAXdx) como base para lançar uma nova bolsa de futuros e event contracts, com clearing próprio;
  • manter a MIAX com 10% de participação e acesso aos mercados de previsão, integrando o produto na infraestrutura já existente.

Isso vem em cima de:

  • 9 bilhões de contratos de event trading já operados pela base da Robinhood em um ano;
  • pelo menos US$ 20 milhões de receita trimestral estimada apenas com a distribuição dos produtos da Kalshi dentro da plataforma.

Resumo:

Robinhood está saindo de “só distribuidora de prediction markets”
para virar dona de infraestrutura de derivativos e event contracts,
ao lado de nomes como CME, Cboe e ICE.


3.3 CME, Cboe e sportsbooks: corrida para formalizar o “binário”

Outros movimentos reforçam esse empurrão institucional:

  • a Cboe Global Markets confirmou que vai lançar prediction markets focados em temas financeiros e macro, evitando esportes num primeiro momento, justamente para fugir da área mais sensível de gambling;
  • a CME Group firmou parceria com a FanDuel (via Flutter) para criar a plataforma FanDuel Predicts, que vai oferecer contratos binários sobre esportes estruturados como derivativos peer-to-peer em estados onde a aposta esportiva ainda é proibida;

Em paralelo, matérias de mercado destacam que:

  • exchanges como CME e Cboe enxergam os prediction markets como nova linha de produto especulativo, alinhada com o apetite de traders por instrumentos “outcome-driven”;
  • a fronteira entre derivativo regulado e aposta esportiva/jogo de azar fica cada vez mais nebulosa – e isso está sendo resolvido na marra, via decisões de tribunais e regulações estaduais.

Em outras palavras: Wall Street e Las Vegas estão colidindo num produto que, matematicamente, é o mesmo payoff que você já viu em opções binárias.


4. E onde o trader de opções binárias entra nessa história?

Para quem opera ou estuda opções binárias, esse movimento traz três mensagens importantes.

4.1 O payoff binário não morreu – ele mudou de endereço

Reguladores como ESMA, FCA e ASIC apertaram o cerco contra binárias OTC, mas o mercado não abandonou o payoff binário: ele foi reempacotado como:

  • event contracts em exchanges reguladas pela CFTC;
  • prediction markets em plataformas cripto (Polymarket) e apps de trading (Robinhood, Crypto.com);

Então:

  • a lógica de “acertar um evento e multiplicar capital rapidamente” continua viva;
  • mas o campo de jogo está migrando de plataformas duvidosas para infraestrutura de bolsa, clearing e feed de dados institucional.

4.2 Risco de mercado continua o mesmo (ou até maior)

Por mais que a infraestrutura melhore, algumas coisas não mudam:

  • o payoff continua tudo-ou-nada – você pode perder 100% do valor investido em cada contrato;
  • o apelo emocional e de entretenimento é fortíssimo: política, esportes, reality show, clima, preço de Bitcoin…;
  • a entrada da turma grande (market makers profissionais, HFT, fundos quantitativos) tende a diminuir o edge de qualquer estratégia simples.

Ou seja:

do ponto de vista de risco,
prediction markets e opções binárias continuam devendo ser tratados como exposição especulativa de alto risco,
e não como “renda extra previsível”.


4.3 A mentalidade “degen” é o verdadeiro inimigo

Se você opera binárias, CFDs, cripto ou event contracts, o maior perigo não é “a ICE” ou “a Robinhood”, e sim:

  • operar como se fosse cassino, sem sizing, sem limite de perda, sem plano;
  • acreditar que o produto virou mais “seguro” só porque agora está num app famoso ou numa bolsa tradicional.

Boas práticas mínimas:

  • usar ticket pequeno em relação ao patrimônio;
  • limitar a exposição total em produtos binários/event contracts a uma fração da carteira;
  • ter regras claras de stop diário/semana, não operar para “vingar” prejuízo;
  • lembrar que não existe sinal, bot ou estratégia que transforme payoff binário em renda estável sem risco.

FAQ – Prediction markets e opções binárias (para rich snippet)

1. Prediction markets são a mesma coisa que opções binárias?

Do ponto de vista do payoff, sim: a maioria dos event contracts em prediction markets é um contrato de sim/não, que paga 0 ou 1 (0 ou 100) dependendo do resultado de um evento – exatamente a lógica de uma opção binária.

O que muda é:

  • o ambiente em que são negociados (exchange regulada, app cripto, plataforma OTC);
  • o enquadramento regulatório (derivativo, aposta, híbrido);
  • e a forma de marketing (hedge, investimento, entretenimento).

2. Por que prediction markets explodiram em 2025?

Alguns fatores:

  • ano de eleições e eventos macro relevantes;
  • maior clareza regulatória para algumas exchanges (Kalshi, Polymarket US);
  • apps como Robinhood integrando event contracts na mesma interface onde o usuário já compra ações e cripto, com UX muito simples (“Sim/Não”);
  • entrada de grandes players (ICE, Cboe, CME, FanDuel, Crypto.com), que trazem liquidez, marketing e distribuição.

3. É mais seguro operar prediction markets do que opções binárias OTC?

Depende do que você chama de “seguro”.

  • Em plataformas reguladas (CFTC, DCM, DCO, etc.), você tende a ter mais proteção operacional: supervisão, regras de conduta, clearing, segregação de fundos.
  • Em termos de risco de mercado, o payoff continua o mesmo: binário, com alta chance de perda total em cada posição.

Então, prediction markets podem ser mais seguros contra fraude e problemas de saque, mas não são menos arriscados na dimensão “posso perder dinheiro?”.


4. Vale a pena usar event contracts como investimento de longo prazo?

Em geral, não.

Event contracts e opções binárias são produtos:

  • com vencimento curto;
  • payoff binário;
  • pensados para apostas especulativas sobre eventos específicos.

Eles podem ter um papel tático, de alavancagem controlada ou hedge muito específico, mas não são instrumentos adequados para construção de patrimônio de longo prazo. Em planejamento financeiro sério, esse tipo de produto costuma ser classificado como aposta de alto risco, não como base de carteira.


5. Como evitar cair na mentalidade “degen” em prediction markets e opções binárias?

Alguns pontos práticos:

  • entrar com a cabeça de gestão de risco, não de cassino;
  • definir, antes de operar, quanto do seu patrimônio pode ir a zero sem comprometer sua vida financeira – e respeitar esse limite;
  • evitar “tilt”: não aumentar lote para “recuperar” em seguida;
  • lembrar que, com ICE, CME, Cboe, Robinhood, market makers e fundos quantitativos, você está jogando contra gente muito preparada.

A melhor defesa é tratar esses produtos como entretenimento financeiro de alto risco dentro de uma carteira estruturada, nunca como fonte garantida de renda.


Conclusão: o novo binário é mais bonito, mais regulado – e continua perigoso

A Dupla 1 que você trouxe – varejo “degen” x empurrão institucional nos contratos de evento – se resume assim:

  • o varejo abraçou prediction markets em apps como Robinhood, Kalshi, Polymarket, Crypto.com, operando bilhões de contratos de payoff binário em temas que vão de eleição a meme;
  • ao mesmo tempo, Wall Street está transformando o mesmo payoff em produto de infraestrutura: ICE investindo bilhões na Polymarket, Robinhood comprando LedgerX com a Susquehanna, CME e Cboe preparando suas próprias plataformas.

Para quem opera ou cria conteúdo em opções binárias / event contracts, a mensagem é dupla:

  1. O tema vai ficar cada vez mais quente – ótimo para tráfego, SEO, educação e construção de autoridade.
  2. O risco para o usuário final continua grande, talvez maior, porque agora o produto vem com selo de app famoso ou de exchange tradicional.

Se você quer se posicionar como referência séria nesse nicho, vale:

  • produzir conteúdos que expliquem a diferença entre binárias OTC e event contracts regulados;
  • deixar sempre claro que não existe ganho garantido;
  • ensinar o público a usar esses produtos, no máximo, como parte especulativa pequena da carteira.
Gustavo Bitencourt

Gustavo Bitencourt

Escritor

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