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Projeto Agorá do BIS: por que os testes de pagamentos internacionais tokenizados podem mudar remessas, settlement e padrões de interoperabilidade

Meta description: Projeto Agorá do BIS avança em testes de pagamentos internacionais tokenizados. Entenda impactos em remessas, settlement, interoperabilidade e governança.

O Projeto Agorá, ligado ao BIS, entrar em fase de testes para pagamentos internacionais tokenizados é um daqueles sinais de que o mercado está migrando do discurso para engenharia de infraestrutura. O tema não é “qual ativo vai performar” é como o dinheiro e a liquidação podem circular com menos fricção entre países, bancos e sistemas, usando tokenização como trilho.

Por que isso importa tanto em 2026? Porque pagamentos cross-border ainda carregam custos, atrasos e camadas de intermediários. Quando iniciativas institucionais passam a testar tokenização nesse contexto, elas pressionam todo o ecossistema a resolver o que realmente trava escala: interoperabilidade, governança, compliance e responsabilidade operacional. E isso entra no mesmo campo de batalha das stablecoins às vezes como concorrência indireta, às vezes como complemento.

Mercados de ativos digitais e infraestrutura tokenizada envolvem riscos operacionais, regulatórios e de execução. Mudanças de regras e falhas de integração podem afetar disponibilidade e custos. Não há garantias de adoção ampla.

O que é o Projeto Agorá e o que significa “fase de testes”

Em termos práticos, entrar em fase de testes sugere sair do plano conceitual e validar, em ambiente controlado, como pagamentos cross-border funcionariam quando:

  • Ativos são representados de forma tokenizada
  • A liquidação acontece em trilhos digitais mais integrados
  • Regras de governança e compliance precisam operar no fluxo, não depois

A palavra-chave aqui é “operar”. Teste não é anúncio. Teste é ver se o sistema aguenta fricção real: reconciliação, regras, exceções, incidentes e padrões entre participantes.

Por que testes são mais importantes do que anúncios

Porque pagamentos internacionais quebram nos detalhes:

  • Diferenças de fuso, janelas bancárias e liquidação
  • Requisitos regulatórios distintos por país
  • Controles de AML/KYC e sanções
  • Padrões de mensageria e dados inconsistentes
  • Falhas operacionais e disputas de responsabilidade

Tokenizar é a parte visível. Fazer funcionar ponta a ponta é a parte difícil.

Por que pagamentos cross-border são um “problema grande” para resolver

Pagamentos internacionais costumam ter três dores clássicas:

  • Tempo: liquidação pode levar dias, dependendo da rota
  • Custo: intermediários, spreads e taxas elevam o preço final
  • Opacidade: rastreio e status nem sempre são claros para quem envia e recebe

Quando um projeto institucional mira cross-border tokenizado, ele está tentando reduzir esses atritos por desenho de infraestrutura.

O que tokenização pode melhorar no fluxo

Tokenização pode ajudar a:

  • Acelerar a movimentação e o acerto final
  • Melhorar rastreabilidade e reconciliação de ponta a ponta
  • Reduzir dependência de janelas e processos manuais
  • Padronizar camadas de dados para compliance e auditoria

Mas isso só acontece se houver interoperabilidade e governança bem definidas.

Projeto Agorá como concorrência indireta e complemento às stablecoins

Stablecoins ganharam espaço por dois motivos: liquidação rápida e integração ampla com o ecossistema digital. Só que, no mundo institucional, a pergunta não é apenas “funciona”, e sim “funciona dentro das regras, com responsabilidades claras e integração bancária”.

O Projeto Agorá pressiona nessa direção.

Onde stablecoins tendem a ser fortes

  • Liquidação rápida em ambientes digitais
  • Integração com aplicações e carteiras
  • Adoção acelerada em nichos de remessas e pagamentos online
  • Capacidade de operar além de janelas bancárias

Onde trilhos institucionais tokenizados tendem a ser fortes

  • Governança e responsabilidades mais claras
  • Integração direta com bancos e infraestrutura regulada
  • Padrões de compliance mais embutidos no processo
  • Menor ambiguidade operacional em ambientes corporativos

Na prática, pode haver complementaridade: stablecoins como camada de liquidação em certos trechos e trilhos institucionais como backbone para rotas e padrões.

Interoperabilidade: o ponto que define se vira “rede” ou fica em piloto

Sem interoperabilidade, tokenização vira ilhas. E ilhas não resolvem cross-border em escala.

Interoperabilidade, aqui, significa:

  • Padrões de dados para identificação, roteamento e reconciliação
  • Compatibilidade entre sistemas e participantes (bancos, PSPs, infra)
  • Regras claras de finalização (quando é “pagamento concluído”)
  • Tratamento de exceções (erros, devoluções, disputas)

Exemplo prático de interoperabilidade no dia a dia

Imagine uma empresa que paga fornecedores em vários países. Para isso virar rotina:

  • O sistema precisa saber “quem é quem” (identidade e conformidade)
  • Precisa validar origem/destino conforme regras locais
  • Precisa liquidar sem depender de múltiplas reconciliações manuais
  • Precisa oferecer comprovantes e auditoria confiáveis

Sem padrões, cada integração vira projeto caro e lento. Com padrões, vira produto.

Governança: quem manda, quem responde e o que acontece no stress

Quando você tokeniza pagamentos internacionais, governança não é detalhe. É o coração do risco.

Uma estrutura robusta precisa responder:

  • Quem define as regras do arranjo e atualizações
  • Quem valida participantes e critérios de acesso
  • Quem decide parâmetros de risco e limites
  • Quem responde por incidentes operacionais
  • Como são tratados reversões, falhas e disputas

O mercado tende a subestimar governança até o primeiro evento de stress. Em infraestrutura de pagamentos, stress é inevitável. O que muda é o nível de preparação.

Compliance e integridade: por que o “custo de confiança” sobe com escala

Pagamentos cross-border não escalam sem compliance forte. Tokenização pode tornar processos mais eficientes, mas também aumenta exigências de controle:

  • AML e monitoramento de transações
  • KYC e verificação de participantes
  • Regras de sanções e listas restritivas
  • Auditoria e rastreabilidade
  • Controles de risco e prevenção a fraude

O efeito prático é um trade-off: mais eficiência e rastreio, porém mais exigência e custo operacional.

O impacto estratégico em 2026: infraestrutura vence narrativa

O avanço do Projeto Agorá reforça uma tese que tende a dominar 2026:

  • O mercado está migrando de “cripto como ativo” para “cripto como infraestrutura”
  • A disputa passa a ser por distribuição, padrões e integração
  • Liquidação e compliance viram diferenciais competitivos
  • O vencedor é quem reduz fricção sem aumentar risco

Isso é relevante para todo o ecossistema: bancos, stablecoins, tokenização de RWAs e produtos institucionais.

O que observar daqui pra frente para saber se ganha tração

Sinais práticos de que os testes estão virando algo maior:

  • Expansão do número de participantes e casos de uso reais
  • Padrões técnicos e operacionais ficando mais claros
  • Integrações com bancos e infra de pagamentos existentes
  • Modelos consistentes de governança e responsabilidade
  • Evidência de redução de custo/tempo em rotas específicas

Quando esses sinais aparecem, o tema deixa de ser “piloto interessante” e vira “mudança de trilho”.

FAQ sobre o Projeto Agorá e pagamentos internacionais tokenizados

O que é o Projeto Agorá do BIS?
É uma iniciativa institucional que avançou para testes de pagamentos cross-border usando tokenização e ativos digitais como trilho de liquidação.

Isso compete com stablecoins?
De forma indireta, sim, porque disputa casos de uso de remessas e settlement. Em alguns cenários, também pode ser complementar.

Qual é o maior gargalo para escalar pagamentos tokenizados internacionais?
Interoperabilidade e governança: padrões de dados, responsabilidades, compliance e tratamento de exceções.

Tokenização deixa pagamentos internacionais instantâneos?
Não necessariamente. Pode reduzir fricção, mas velocidade depende de regras, integrações, controles e desenho do arranjo.

Isso é relevante para quem investe em cripto?
É relevante como tendência de infraestrutura: pode influenciar demanda por trilhos de liquidação, padrões e integração institucional, mas não garante direção de preço.

Quais riscos estão envolvidos?
Risco regulatório, operacional, de integração, de governança e de fragmentação de padrões, além de possíveis mudanças de escopo no caminho.

Conclusão

O Projeto Agorá entrar em fase de testes para pagamentos internacionais tokenizados reforça 2026 como o ano em que tokenização sai do discurso e entra na infraestrutura crítica: cross-border, settlement e padrões operacionais. Isso pressiona o mercado a padronizar interoperabilidade e governança, ao mesmo tempo em que reposiciona stablecoins como concorrentes indiretas e, em muitos cenários, complementares. O resultado mais provável é uma corrida menos “por narrativa” e mais por execução: quem integra melhor, governa melhor e reduz fricção com compliance.

Diego Alberto

Diego Alberto

Escritor

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