meta description: Banco Central do Brasil enquadra stablecoins como operação de câmbio a partir de 2026. Entenda impactos em VASPs, on/off-ramp, custos e liquidez.
Introdução
No Brasil, a relação entre cripto e sistema financeiro sempre avançou por ajustes graduais, não por rupturas. A nova regra do Banco Central, que entra em vigor em fevereiro de 2026 e passa a tratar stablecoins pareadas em fiat como operação de câmbio, segue exatamente essa lógica: menos zona cinzenta, mais enquadramento formal.
Essa mudança não é só conceitual. Ela afeta diretamente VASPs, custos de operação, a forma como fluxos são reportados e, principalmente, o funcionamento de on/off-ramps. Para o mercado, o impacto mais provável é um empurrão para estruturas mais compliant com efeitos claros sobre liquidez local e competitividade.
O que aconteceu
O Banco Central do Brasil definiu que transações com stablecoins pareadas em moeda fiduciária passam a ser tratadas como operações de câmbio, dentro do arcabouço regulatório que entra em vigor em fevereiro de 2026.
Na prática, isso significa que:
- fluxos com stablecoins passam a ter natureza cambial
- VASPs entram mais diretamente no radar de licenciamento, governança e supervisão
- regras de reporte e controles ficam mais próximas das exigidas em operações tradicionais de câmbio
O que significa “tratar stablecoin como câmbio”
Tratar como câmbio não é proibir. É enquadrar.
Isso implica:
- reconhecimento formal de que stablecoins funcionam como ponte entre real e moedas estrangeiras
- aplicação de regras de prevenção, reporte e controle típicas do mercado de câmbio
- maior clareza jurídica sobre responsabilidades de quem intermedia o fluxo
Para o regulador, o objetivo é reduzir assimetria regulatória. Para o mercado, o efeito é aumento de previsibilidade — com custo operacional maior.
Impacto direto em VASPs
VASPs são o primeiro elo afetado.
Licenciamento e governança
Com stablecoin entrando no regime cambial, cresce a exigência por:
- estruturas formais de governança
- controles internos robustos
- segregação de funções
- políticas claras de risco e compliance
Players menores ou menos estruturados tendem a sentir mais pressão.
Supervisão e reporte
Fluxos passam a exigir:
- registros mais detalhados
- trilhas de auditoria
- integração com sistemas de reporte
- alinhamento com regras de prevenção à lavagem de dinheiro
Isso aumenta custo fixo e operacional, mas reduz incerteza regulatória.
On-ramp e off-ramp: onde a mudança pesa no dia a dia
É aqui que o usuário sente.
Possível aumento de custo e fricção
Quando o fluxo vira “câmbio”, entram:
- custos administrativos
- prazos e validações adicionais
- processos mais formais de liquidação
Isso pode deixar on/off-ramps:
- um pouco mais caros
- menos “instantâneos” em alguns casos
- mais padronizados e previsíveis
Menos improviso, mais estrutura
A vantagem é que:
- o risco de bloqueios inesperados tende a cair
- empresas sabem exatamente o que precisam cumprir
- a relação com bancos pode ficar mais estável
O trade-off é claro: menos flexibilidade, mais previsibilidade.
Efeito na liquidez do mercado brasileiro
Mudanças regulatórias quase sempre provocam um ajuste inicial.
Cenários típicos:
- saída ou consolidação de players menores
- concentração de liquidez em plataformas mais compliant
- possível queda de liquidez no curto prazo
- recuperação gradual conforme o mercado se adapta
No médio prazo, o mercado tende a operar com menos atores, porém mais estruturados.
Quem tende a ganhar e quem tende a perder
Potenciais beneficiados
- VASPs com estrutura robusta e relação bancária sólida
- players preparados para operar câmbio e reporte
- usuários institucionais que valorizam previsibilidade
Potenciais pressionados
- plataformas que dependem de baixo custo e alta informalidade
- modelos que vivem de arbitragem regulatória
- operações com margem apertada e pouca escala
Isso não elimina concorrência, mas muda o perfil dos vencedores.
O que isso não significa
É importante ajustar expectativa.
- não significa proibição de stablecoins
- não significa fim de on/off-ramp no Brasil
- não garante mais ou menos preço para cripto
- não elimina riscos de mercado
Trata-se de infraestrutura regulatória, não de promessa de crescimento.
Gestão de risco para quem opera no Brasil
Para usuários e operadores:
- espere ajustes de prazo e custo em 2026
- evite depender de um único on/off-ramp
- acompanhe como sua plataforma se posiciona em compliance
- mantenha gestão de caixa compatível com possíveis atrasos
Cripto continua sendo mercado de alto risco, e mudanças regulatórias tendem a aumentar volatilidade de curto prazo.
FAQ
O que muda ao tratar stablecoin como câmbio no Brasil?
As transações passam a seguir regras cambiais, com mais exigências de reporte, controle e supervisão para VASPs e intermediários.
Stablecoins vão ficar proibidas?
Não. O objetivo é enquadrar, não proibir. O uso continua permitido, mas dentro de regras mais claras.
Isso afeta quem usa stablecoin no dia a dia?
Pode afetar custos, prazos e processos de entrada e saída de recursos, especialmente via plataformas brasileiras.
O mercado vai perder liquidez?
Pode haver ajuste inicial, com consolidação de players. No médio prazo, a liquidez tende a se concentrar em estruturas mais compliant.
É algo positivo ou negativo?
Depende do ponto de vista. Reduz incerteza regulatória, mas aumenta custo e fricção. Para o mercado, é uma troca entre flexibilidade e previsibilidade.
Conclusão
A regra do Banco Central que entra em vigor em fevereiro de 2026, tratando stablecoins como operação de câmbio, marca um passo importante na maturação do mercado cripto no Brasil. Ela redefine como fluxos são operados, aumenta exigências para VASPs e tende a empurrar o setor para estruturas mais compliant com impacto direto em custos, on/off-ramps e liquidez local.



