Estados miram event contracts e alegam gambling; plataformas citam CFTC. Veja a disputa de jurisdição, preempção e o risco de caso subir.
O ponto mais explosivo do mercado de opções binárias hoje não é tecnologia. É jurisdição. Estados estão emitindo ordens e entrando na Justiça para bloquear contratos esportivos em prediction markets, enquanto plataformas argumentam que a CFTC tem autoridade federal sobre o que é listado em mercados regulados.
Em dezembro de 2025, Connecticut publicou ação administrativa dizendo que “sports event contracts” seriam ilegais e colocariam consumidores em risco.
No mesmo mês, Massachusetts pediu a um juiz que bloqueasse a atuação da Kalshi em esportes, alegando inclusive risco de acesso por menores e violação de leis estaduais.
Antes de decidir “quem está certo”, vale entender: já existe divergência em decisões federais e isso é o tipo de tema que pode escalar. No próximo tópico, você vai ver por quê.
Por que essa briga é tão importante
Se a tese de “jurisdição federal exclusiva” prevalecer, prediction markets podem ganhar caminho para operar em muitos estados sem licenças típicas de betting. Se a tese estatal prevalecer, a expansão fica travada e a oferta vira um mosaico de bloqueios.
Um memo jurídico recente descreveu decisões federais conflitantes e apelações em andamento, reforçando a falta de clareza regulatória no tema.
A ofensiva dos estados e o impacto prático no produto
Connecticut afirmou que plataformas oferecendo sports event contracts estariam conduzindo gambling não licenciado, com riscos de proteção ao consumidor.
Esse tipo de ação tem efeitos imediatos:
- retirada/pausa de contratos por geofencing
- mudança de marketing (mais “finanças”, menos “esportes”)
- aumento de fricção (KYC, limites, restrições)
- dano reputacional (“isso é aposta disfarçada?”)
Massachusetts, por sua vez, levou o tema ao Judiciário e o caso está em disputa, com decisão esperada em janeiro (conforme reportagem).
Preempção e o argumento da Commodity Exchange Act
O núcleo do argumento das plataformas é “preempção”: a ideia de que a lei federal (CEA) ocupa o campo e impede estados de aplicarem certas restrições quando o produto está em um mercado sob guarda federal.
Um resumo legal (nov/2025) apontou que tribunais federais chegaram a ler o CEA como conferindo “jurisdição exclusiva” em alguns contextos, mas que o cenário vem ficando mais complexo com decisões posteriores e recursos.
Tradução para o mercado:
- risco jurídico vira risco de produto (listagem, distribuição e receita)
- incerteza aumenta custo de compliance
- players grandes conseguem sustentar litígio (pequenos sofrem)
Chance real de isso subir para instância superior
Quando há divergência, recursos e disputas multijurisdição, o tema ganha cara de “decisão estruturante”. Ainda que não seja automático, é o tipo de conflito que pode se tornar referência nacional se o impasse persistir e cortes superiores precisarem uniformizar entendimento.
Como acompanhar esse tema sem cair em torcida
Se você produz conteúdo ou analisa o setor, foque em sinais objetivos:
- decisões judiciais e liminares
- postura da CFTC (orientações, enforcement, cartas)
- reações de estados (ordens, processos)
- mudanças de oferta (retirada de contratos, geofencing)
E, do lado do usuário final: event contracts continuam sendo produto de risco alto, com perdas possíveis e comportamento impulsivo. Gestão de risco é indispensável.
Seção de FAQ
Por que estados estão tentando barrar event contracts esportivos?
Porque alguns reguladores entendem esses contratos como gambling não licenciado sob leis estaduais.
O que Massachusetts alegou contra a Kalshi?
Ação para bloquear sports prediction market, incluindo alegações de violação de leis estaduais e preocupação com menores.
O que é preempção na prática?
É o argumento de que a lei federal (CEA) pode impedir que estados apliquem certas restrições quando o produto está sob guarda federal.
Isso pode chegar à Suprema Corte?
Pode virar tema de instância superior se a divergência persistir e recursos avançarem, mas não é garantia.
Conclusão
O mercado de opções binárias em formato de event contracts vive hoje um ponto de ruptura: estados querem tratar como betting, plataformas invocam jurisdição federal, e a falta de uniformidade cria risco real de “produto some daqui e aparece ali”.



