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OCC libera bancos a atuarem como intermediários em transações cripto: o que muda com o “riskless principal”

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Em 9/dez/2025, o OCC confirmou que bancos nacionais podem intermediar transações com cripto como “riskless principal”, comprando e vendendo de forma simultânea e compensada. Entenda impactos, benefícios e riscos.

Introdução

Até pouco tempo, “banco mexendo com cripto” era sinônimo de cautela extrema, projetos piloto e muito jurídico envolvido. No dia 9 de dezembro de 2025, o Office of the Comptroller of the Currency (OCC) regulador federal dos bancos nacionais nos EUA publicou orientação confirmando que bancos podem realizar transações cripto no formato “riskless principal”, atuando como intermediários entre duas partes em operações simultâneas e compensadas.

O que parece um detalhe técnico, na prática, aproxima cripto do “core” bancário e reacende a discussão que divide o mercado: isso reduz riscos (por trazer compliance) ou aumenta riscos (por conectar volatilidade cripto ao sistema bancário)?


O que o OCC autorizou, na prática

A confirmação veio via Interpretive Letter 1188 e comunicado oficial do OCC. A essência é:

  • um banco pode atuar como principal numa transação com um cliente enquanto executa uma transação compensatória com outro cliente quase ao mesmo tempo
  • a ideia é que o banco funcione como um intermediário e não mantenha cripto em “estoque” (inventory), exceto em situações raras relacionadas à execução/settlement

Isso é o que o mercado chama de “riskless principal”: o banco compra de A para revender imediatamente para B, com exposição de mercado minimizada pela natureza compensada da operação.


O que é “riskless principal” em linguagem simples

Pense assim:

  • Broker/agent: você compra/vende e o intermediário só encaminha ordem, sem “virar parte” do negócio.
  • Dealer: o intermediário mantém inventário e toma risco direcional para prover liquidez.
  • Riskless principal: o intermediário “vira parte” do negócio por um instante, mas com a compra e a venda travadas de forma praticamente simultânea (offsetting), reduzindo risco direcional.

O ponto-chave: “riskless” não significa “sem risco”. Significa menos risco de preço do que um dealer com inventário mas ainda existem riscos operacionais, de contraparte, liquidação e compliance.


Por que isso é grande: cripto entrando pela porta do compliance bancário

Quando bancos entram como intermediários, alguns efeitos potenciais aparecem:

Mais trilha de controles e governança

Bancos carregam obrigações robustas de controles internos, gestão de risco, auditoria e monitoramento. Em tese, isso pode “elevar o padrão” de execução para clientes institucionais.

Mais liquidez em venues tradicionais

Se bancos puderem intermediar, pode haver:

  • melhora de acesso para clientes que preferem operar em ambiente bancário
  • redução de fricção operacional para grandes ordens
  • integração com infraestrutura de pagamentos/settlement já existente

Mudança de percepção institucional

A Reuters descreve essa orientação como parte de um movimento de aproximar finanças tradicionais e cripto e é isso que o mercado costuma precificar como “menor risco de banimento, maior chance de integração”.


O outro lado: risco sistêmico e “contágio” (por que críticos ficam desconfortáveis)

A crítica principal é simples: quanto mais você liga dois sistemas, mais um pode contaminar o outro.

Os alertas mais comuns nesse debate:

  • cripto é volátil e ainda tem bolsões menos regulados
  • falhas operacionais (custódia, hacks, settlement) podem virar risco reputacional/financeiro
  • concentração de infraestrutura (poucos players dominando liquidez) pode amplificar choques

A própria reportagem da Reuters pontua que críticos temem aumento de risco sistêmico por “entrelaçar” bancos e cripto.


O que isso não é: “liberou geral” para banco virar exchange

Importante não confundir:

  • isso não significa automaticamente que qualquer banco vai oferecer uma “corretora cripto completa” para varejo
  • a autorização é sobre um tipo específico de intermediação e dentro do que o OCC entende como “business of banking”
  • a implementação real depende de estrutura de risco, parceiros, políticas internas e apetite regulatório/comercial

Impactos possíveis para o mercado cripto

Para Bitcoin e grandes ativos

Maior acesso institucional via bancos pode aumentar eficiência de execução (spreads/impacto), principalmente em blocos maiores.

Para stablecoins e pagamentos

Mesmo não sendo o foco do “riskless principal”, a tendência de integração bancária reforça a narrativa de stablecoins como “trilhos” — tanto que o OCC também aparece no noticiário por movimentos paralelos envolvendo trust banks cripto.

Para o investidor/trader

Se você opera curto prazo, essa notícia entra como variável de:

  • mudança de sentimento institucional
  • possíveis alterações de liquidez em determinados horários/venues
  • reprecificação do risco regulatório

Mas continua valendo o básico: alavancagem e sizing são o que mais quebram contas em cripto — notícia boa não elimina volatilidade.


FAQ

O que o OCC anunciou em 9/dez/2025?

Que bancos nacionais podem realizar transações cripto como riskless principal, atuando como intermediários em operações compensadas e simultâneas.

“Riskless principal” significa que não existe risco?

Não. Significa redução do risco direcional de preço por ser uma operação offsetting, mas ainda há risco operacional, de contraparte, liquidação e compliance.

Isso torna cripto “seguro” porque envolve bancos?

Não automaticamente. Pode elevar padrões de controle, mas também pode aumentar o risco de contágio entre mercados, dependendo de escala, exposição e desenho de produto.

Isso muda algo para brasileiros?

Indiretamente, sim: decisões e sinais regulatórios dos EUA costumam influenciar liquidez global, apetite por risco e postura institucional o que repercute em preço e fluxos.

Banco vai poder “segurar cripto em estoque”?

A orientação enfatiza o modelo sem inventário (inventory), com exceções raras ligadas à execução/settlement.


Conclusão

A permissão do OCC para bancos atuarem como intermediários em cripto via riskless principal é um marco de integração: ela aproxima ativos digitais da engrenagem bancária e cria um caminho mais “institucional” para execução.
Ao mesmo tempo, ela traz de volta a discussão central do ciclo: integração com compliance pode reduzir riscos pontuais, mas conexão maior também pode aumentar risco sistêmico se a exposição crescer sem controles adequados.

Diego Alberto

Diego Alberto

Escritor

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