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Standard Chartered corta pela metade a previsão do Bitcoin: o que significa mirar “só” US$ 100k em 2025 e US$ 150k em 2026?

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O Standard Chartered reduziu a previsão do Bitcoin de US$ 200k para 100k em 2025 e para 150k em 2026. Entenda os motivos, o novo cenário e o que isso muda para o investidor.


Introdução: quando até os super bullish apertam o freio

O Standard Chartered sempre esteve na lista dos bancos tradicionais mais otimistas com o Bitcoin. Em relatórios anteriores, a casa falava em US$ 200 mil até o fim de 2025 e US$ 300 mil em 2026, dentro de um cenário de adoção forte por ETFs, tesourarias corporativas e macro favorável.

Depois do crash recente com o BTC caindo algo próximo de 27–36% abaixo da máxima histórica em torno de US$ 126 mil, em outubro de 2025 o banco resolveu recalibrar o discurso.

A nova visão é:

  • 2025: alvo revisto de US$ 200k → US$ 100k;
  • 2026: projeção de US$ 300k → US$ 150k;
  • 2030: ainda enxergam US$ 500k, mas jogando esse número mais pra frente (antes falavam em 2028–2029).

Ou seja: continua bullish, mas menos agressivo e com uma curva de preço bem mais “esticada no tempo”.

Neste artigo, você vai ver:

  • por que o banco cortou as projeções pela metade;
  • como fica o novo “mapa de preço” até 2030;
  • o que muda (e o que não muda) para o investidor em BTC;
  • como usar esse tipo de previsão sem cair em ilusão de “número mágico”.

1. O que exatamente o Standard Chartered mudou nas projeções

1.1. Do “200k em 2025” para um cenário de 100k e 150k

No novo relatório, o time de pesquisa em ativos digitais do Standard Chartered, liderado por Geoff Kendrick, reescreveu a curva de preço do Bitcoin para os próximos anos:

Antes (antiga projeção)

  • 2025: US$ 200k
  • 2026: US$ 300k
  • 2027: US$ 400k
  • 2028: US$ 500k
  • 2029: US$ 500k

Agora (nova projeção)

  • 2025: US$ 100k
  • 2026: US$ 150k
  • 2027: US$ 225k
  • 2028: US$ 300k
  • 2029: US$ 400k
  • 2030: US$ 500k

Repare que:

  • Eles não abandonaram a ideia de preços muito altos lá na frente;
  • O que mudou é a velocidade: levam mais tempo para chegar lá e assumem um bull market menos explosivo do que parecia em meados de 2025.

1.2. “Não é cripto winter, é correção forte”

Mesmo cortando a projeção pela metade, o banco faz questão de dizer que isso não significa um novo inverno cripto:

  • Kendrick compara a queda atual cerca de 27 a 36% abaixo do topo com outras correções desde o início da era dos ETFs spot nos EUA, dizendo que o movimento é “doloroso, mas normal dentro de um bull market”.

A mensagem é:

“Ajustamos o otimismo, mas não viramos bearish estrutural. Ainda vemos BTC muito mais alto no fim da década.”


2. Por que o banco resolveu cortar a previsão pela metade

2.1. Queda de ~27 a 36% e volatilidade ainda alta

Primeira justificativa é macro/mercado na veia:

  • depois de bater acima de US$ 126k em outubro, o Bitcoin devolveu cerca de 27 a 36%, voltando para a faixa de US$ 86k a 92k em dezembro;
  • esse movimento veio junto com:
    • liquidações bilionárias em derivativos,
    • mais aversão a risco com incerteza sobre juros, inflação e crescimento,
    • correlação maior com bolsa (especialmente ações ligadas a IA e tech).

Em resumo, o banco entendeu que parte do rally tinha muita espuma e que o “caminho” até alvos mais altos vai ser mais acidentado do que pareciam prever antes.

2.2. Tesourarias corporativas perderam fôlego

Outro ponto chave do relatório é o recado sobre as chamadas “Bitcoin treasuries” empresas listadas que compram BTC para o próprio balanço, como Strategy (ex-MicroStrategy) e outras companhias bitcoinizadas:

  • o Standard Chartered diz que esse ciclo de compra agressiva parece ter “rodado o que tinha para rodar”;
  • com as ações dessas empresas negociando com desconto em relação ao valor de BTC por ação, fica mais difícil levantar capital barato para continuar comprando;
  • isso reduz um importante motor estrutural de demanda que o banco usava nas projeções mais otimistas.

Em outras palavras:

empresas comprando BTC em balanço já não são mais o grande empurrão da alta pelo menos não na escala que o banco imaginava antes.

2.3. BTC mais dependente de fluxo de ETF

Com tesourarias menos ativas, o relatório passa a tratar os ETFs spot de Bitcoin como driver principal de preço nos próximos anos:

  • quando ETF tem entrada forte, o BTC tende a disparar;
  • quando ETF tem saídas ou fluxo fraco, o preço perde sustentação;
  • como as entradas têm sido mais irregulares recentemente (com alguns ETFs grandes chegando a registrar semanas de outflows), o banco prefere ser mais conservador nas curvas de preço.

Esse ponto é importante porque muda a narrativa:

  • Antes: muito foco nos ciclos de halving e “escassez programada”;
  • Agora: mais peso em fluxo de ETF, macro global e apetite de risco institucional.

3. O que isso muda para o investidor de Bitcoin na prática

3.1. Menos hype, mais realidade

Se você é trader ou holder, essas revisões de bancos não deveriam ser o centro da sua tese — mas ajudam a enxergar o humor institucional.

O recado por trás dessa mudança é:

  • bancos ainda veem potencial forte no BTC (100k a 150k não é pouco);
  • mas não compram mais a narrativa de alta “reta” e sem percalços;
  • a ideia de “200k em 2025 garantido” sempre foi frágil agora essa fragilidade está no papel.

3.2. Gestão de risco continua sendo obrigatório

Independentemente de qual número você acredita:

  • Bitcoin continua sendo um ativo de alta volatilidade,
  • com risco de quedas de 30 a 50% dentro do próprio bull market,
  • cuja performance depende de fatores que ninguém controla: juros, fluxo de ETF, regulação, macro global.

Isso reforça alguns pontos de disciplina:

  • nada de alavancagem irresponsável baseada em price target de banco;
  • exposição em BTC deve considerar perfil, horizonte e tolerância a drawdown;
  • “número redondo” (100k, 150k, 500k) não é garantia, é cenário.

4. Como usar (e como NÃO usar) esse tipo de previsão

4.1. O que dá para extrair de útil

Você pode usar previsões como essa para:

  • entender como o institucional está recalibrando expectativas;
  • mapear potenciais faixas de preço que podem virar imãs psicológicos (100k, 150k, 200k…);
  • refletir sobre o peso de cada driver: ETFs, tesourarias, macro, halving, etc.

E, principalmente, para lembrar que nem quem é super bullish acerta timing: o próprio Standard Chartered era quem falava em 200k já em 2025 e está voltando atrás agora.

4.2. O que NÃO faz sentido fazer

Não faz sentido:

  • tratar 100k ou 150k como alvo garantido;
  • montar alavancagem (futuros, opções, crédito) contando que o mercado “vai respeitar o relatório do banco”;
  • ignorar seu próprio plano de risco porque “agora o banco tá mais pé no chão, então tá de boa”.

No fim, o risco continua sendo seu, não do Standard Chartered.


FAQ – Perguntas frequentes sobre a nova previsão do Standard Chartered

1. O Standard Chartered virou bearish em Bitcoin?
Não. O banco continua otimista no longo prazo, mantendo projeção de US$ 500k para 2030, mas reduziu e atrasou os alvos intermediários (100k em 2025, 150k em 2026). É uma correção de expectativas, não uma virada para “Bitcoin vai a zero”.


2. A queda recente significa que acabou o bull market?
Pelo próprio relatório deles, não. A casa enxerga a queda de ~27 a 36% desde o topo como correção dentro de um ciclo ainda positivo, comparável a outras puxadas de freio que aconteceram após a chegada dos ETFs spot.


3. Tesourarias corporativas ainda importam para o preço do BTC?
Importam, mas o Standard Chartered acredita que o grande ciclo de compras agressivas já passou. Empresas tipo Strategy seguem relevantes, mas não são mais vistas como principal “motor” marginal de demanda. Agora o foco maior é em fluxo de ETF.


4. ETFs vão decidir o preço do Bitcoin daqui pra frente?
Eles certamente são uma peça central: o relatório coloca os ETFs spot como principal driver de preço no curto e médio prazo. Mas ainda entram no jogo fatores como juros, liquidez global, regulação, adoção real e sentimento de risco. ETF é um motor forte, não o único.


5. Devo usar essa projeção para montar posição?
Projeção de banco é insumo, não plano pronto:

  • use para pensar cenários,
  • mas baseie sua alocação em gestão de risco, horizonte e diversificação;
  • nunca assuma que “se o banco falou 100k, vai bater 100k”.

Em cripto, especialmente em BTC, o que mata não é errar o alvo é não estar preparado para o caminho até lá.


Conclusão: menos foguete, mais maratona

O corte de projeção do Standard Chartered é um bom lembrete de que:

  • mesmo os bulls mais agressivos podem superestimar velocidade de ciclo;
  • previsões mudam, mas volatilidade e incerteza são constantes em Bitcoin;
  • quem sobreviver melhor não será quem acertar o número exato, e sim quem tiver gestão de risco, paciência e visão de ciclo.

Se você está montando posição ou produzindo conteúdo sobre isso, uma boa linha editorial é:

“De 200k para 100k: por que até os bancos bullish estão recalibrando a história do Bitcoin e por que isso não significa o fim da tese, mas o fim das fantasias fáceis.”

Diego Alberto

Diego Alberto

Escritor

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