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Depois de bater US$ 126k e cair para perto de US$ 90k, projeções de US$ 200k em 2025 foram revistas para US$ 100k. Entenda como o crash de novembro, o hype e a alavancagem mudaram a conversa sobre o preço do Bitcoin.
Introdução: quando o mercado obriga todo mundo a voltar pra realidade
Durante boa parte de 2025, a narrativa parecia simples:
- ETFs bombando,
- presidente dos EUA pró-cripto,
- Bitcoin rompendo topo atrás de topo.
Projeções de US$ 180k, US$ 200k, US$ 250k ainda em 2025 viraram padrão em relatório, live e thread de X. A alta até fazia parecer razoável: o BTC passou de US$ 100k e chegou a mais de US$ 126 mil em outubro, novo topo histórico.
Só que veio o preço da euforia:
- um crash em novembro apagou mais de US$ 1 trilhão de valor do mercado cripto;
- o BTC afundou para a casa dos US$ 80 a 86k nos piores momentos;
- hoje está em torno de US$ 90k, algo como 30% abaixo do topo.
No meio desse processo, até quem era mais agressivamente otimista teve que recalibrar o discurso. É o caso do analista-chefe de cripto do Standard Chartered, que falava em US$ 200k ainda em 2025 e agora fala em US$ 100k até o fim de 2025, mantendo alvo de US$ 500k até 2030, mas com prazo adiado.
E um artigo da MarketWatch foi direto ao ponto: o crash de novembro “não foi acidente”, mas resultado de ciclo de hype + alavancagem + liquidações em cascata, alimentado por previsões irreais de influenciadores.
Vamos destrinchar:
- por que o sonho dos US$ 200k em 2025 perdeu força;
- como a alavancagem transformou a correção em pancada histórica;
- e o que significa, na prática, revisar targets sem enterrar a tese de longo prazo.
1. Do topo em US$ 126k ao “novo normal” em US$ 90k
1.1. O rali que alimentou as projeções surreais
O contexto que levou o Bitcoin acima de US$ 126 mil foi uma mistura de:
- entrada de dinheiro institucional via ETFs spot;
- narrativa política favorável (eleição de presidente pró-cripto nos EUA);
- correlação forte com rali de ações de IA e tech;
- ambiente de liquidez ainda relativamente acomodatício.
Com preço renovando topo, o incentivo para “errar pra cima” nas projeções era enorme:
se você chama US$ 200k e o BTC só vai a 160k, você continua parecendo um “visionário”.
Se chama 80k e ele passa direto, você vira o pessimista que “não entendeu o novo ciclo”.
Nesse clima, casas grandes e uma enxurrada de influenciadores passaram a cravar números agressivos para 2025, de US$ 180k a US$ 250k.
1.2. O tombo de novembro e o apagão de US$ 1 trilhão
O problema é que a estrutura de mercado não acompanhou o nível de otimismo.
Em novembro:
- o BTC caiu de mais de US$ 120k para a faixa de US$ 80 a 86k, uma queda de 30 a 35%;
- estimativas apontam mais de US$ 1 a 1,25 trilhão em valor apagado do mercado cripto;
- só em algumas janelas de 24h, foram US$ 1,9 a 2 bilhões em liquidações, com mais de 90% em posições long alavancadas.
Na prática, foi a receita clássica:
- Narrativa otimista demais → traders aumentam alavancagem.
- Vem um gatilho macro (tarifas, Fed, tech apanhando) → preço escorrega.
- As primeiras liquidações forçadas derrubam mais o preço.
- A queda gera novas liquidações → efeito bola de neve.
O resultado é o BTC estacionado hoje perto de US$ 90k, em vez da reta imaginária rumo a US$ 200k.
2. Standard Chartered: de US$ 200k em 2025 para US$ 100k (e US$ 500k “só” em 2030)
2.1. O ajuste de rota
O relatório mais recente citado pela Barron’s mostra o Geoff Kendrick (Standard Chartered) admitindo o óbvio: o mercado não tem mais tempo nem estrutura para entregar US$ 200k ainda em 2025.
A nova fotografia dele é:
- US$ 100k até o fim de 2025;
- US$ 500k até 2030, empurrando a projeção que antes era para 2028.
Ou seja:
a tese macro de longo prazo continua bullish,
mas o timing da euforia foi jogado pra frente.
A justificativa:
- o drawdown atual de 30 a 36% a partir do topo é forte, mas “normal” em ciclos de BTC;
- parte do combustível do rali (entrada de ETFs, compras de tesouraria) já foi queimada;
- a partir daqui, os próximos patamares dependem mais de adoção estrutural do que de previsões agressivas.
2.2. O que isso ensina pra leitura de alvo de preço
Esse tipo de revisão traz alguns recados importantes:
- projeção não é contrato mesmo casas grandes recalculam;
- números como 200k, 500k, 1M são cenários, não promessas;
- quem ancora decisão de risco só em “target de banco” sem gestão própria está terceirizando demais a responsabilidade.
E reforça uma lição óbvia, mas que o bull market faz esquecer:
previsão de preço é, na prática, faixa de probabilidade + narrativa, não GPS.
3. MarketWatch: hype, influenciadores e o crash “não acidental”
O texto da MarketWatch faz uma leitura dura, mas útil: o crash de novembro “não foi acidente”.
3.1. Narrativa, rede social e targets irreais
Segundo o artigo, o ambiente era mais ou menos assim:
- influenciadores e perfis grandes cravando US$ 180k, US$ 200k, US$ 250k como “quase garantidos” para 2025;
- uso pesado de redes sociais para reforçar a ideia de que quem não estivesse alavancado estava “perdendo a chance da vida”;
- pouca atenção a:
- liquidez real de mercado,
- tamanho de posições em derivativos,
- e risco de eventuais saídas de ETFs.
Quando o preço começou a escorregar, o castelo de cartas apareceu:
- ETF spot de BTC tiveram bilhões em saques em poucas semanas;
- o mercado não tinha comprador suficiente para absorver venda + liquidação forçada;
- o que seria uma correção normal virou pancada histórica.
3.2. “Pump & dump” institucionalizado?
O artigo vai além e compara o ciclo a um grande “pump & dump” de narrativa:
- primeiro, se vende a visão de “proteção contra tudo”, “novo padrão de reserva”, “dólar 2.0”;
- depois, com o preço já esticado, os mesmos grandes players reduzem exposição,
- enquanto varejo, alavancado, fica segurando a bomba.
Não quer dizer que exista um grupo central coordenando tudo, mas o efeito agregado se parece com isso:
insiders com melhor informação e gestão de risco realizam lucro enquanto varejo compra narrativa com prazo apertado e alavancagem demais.
4. E agora? Como olhar pra BTC depois da ressaca dos 200k
4.1. A tese de longo prazo morreu?
Pelo contrário:
- projeções como US$ 500k até 2030 continuam na mesa em casas como Standard Chartered;
- relatórios de bancos e fundos ainda tratam BTC como:
- ativo de risco importante;
- possível “ouro turbo” em cenário de juros menores;
- parte de portfólio para uma fração pequena, mas relevante.
O que morreu pelo menos por enquanto é a narrativa de “200k ainda este ano ou você vai ficar para trás”.
4.2. O que muda pra quem opera e investe
Alguns pontos práticos que essa história deixa:
- gestão de risco > target de preço
- se você entrou pesado só porque alguém falou “200k garantido”, o problema não é o BTC é o processo de decisão.
- alavancagem é faca de dois gumes
- o crash mostrou, mais uma vez, que liquidações em cascata não perdoam;
- operar 10x, 20x, 50x em cenário de narrativa super aquecida é brincar em campo minado.
- prazo importa
- tese de 4 a 5 anos pode continuar intacta mesmo com queda de 30 a 40% no meio do caminho;
- quem confunde trade de curtíssimo prazo com investimento de ciclo acaba sempre comprando topo e vendendo pânico.
E, claro: nada garante que 100k em 2025 ou 500k em 2030 vão se concretizar. São cenários condicionados a juros, liquidez, regulação, adoção… e à mesma psicologia de massa que derrubou o mercado em novembro.
FAQ – Perguntas frequentes sobre Bitcoin, 200k e o crash de 2025
1. Bitcoin ainda pode chegar a US$ 200k em 2025?
Tecnicamente, pode mercado de cripto é extremamente volátil. Mas, depois do crash, até casas bullish como o Standard Chartered passaram a falar em US$ 100k até o fim de 2025, jogando alvos mais altos para 2030. Contar com 200k em meses, como se fosse certo, é mais aposta especulativa do que cenário base.
2. A revisão de 200k para 100k significa que Bitcoin “falhou”?
Não. Significa que o ritmo de alta projetado foi irrealista frente ao choque de realidade que veio via:
- liquidações massivas,
- saques de ETFs,
- stress em mercados globais.
A tese de longo prazo pode continuar viva, mas o “caminho em linha reta” foi desmentido pelo próprio mercado.
3. O crash de novembro foi manipulação ou só mercado funcionando?
Provavelmente foi uma mistura de fatores:
- alavancagem demais,
- liquidez de menos,
- ETF saindo,
- macro azedando,
- influência de narrativas exageradas.
O artigo da MarketWatch argumenta que não foi “acidente aleatório”, mas o resultado natural de um mercado inflado por hype e targets irreais.
4. O que impede um novo crash similar?
Nada impede. Enquanto:
- houver alavancagem grande;
- ETFs puderem entrar e sair com bilhões;
- e varejo seguir operando por narrativa,
o risco de novas deleveragings violentas continua no radar. A diferença é que, depois de um evento grande, parte do sistema fica mais cautelosa por um tempo.
5. Ainda faz sentido ter Bitcoin na carteira depois de tudo isso?
Depende do seu perfil. Para alguns investidores, BTC pode continuar fazendo sentido como:
- posição pequena (percentual limitado) de portfólio de longo prazo;
- ativo de risco com tese de assimetria (perde 1x, pode ganhar várias vezes).
Mas sempre com consciência de que:
- é extremamente volátil;
- pode cair 50% ou mais várias vezes ao longo dos anos;
- não é reserva “segura” de curto prazo.
Se a lógica é “preciso desse dinheiro em 6 meses”, cripto em geral é um péssimo lugar pra estacionar capital.
Conclusão: o mercado matou a fantasia, não necessariamente a tese
O enredo de 2025 deixou claro:
- o sonho dos US$ 200k imediatos foi uma construção de narrativa parte análise, parte marketing, parte FOMO;
- o crash de novembro expôs o custo de misturar previsão agressiva com alavancagem irresponsável;
- mesmo assim, grandes players ainda veem espaço pra BTC muito acima dos níveis atuais no longo prazo, só que em prazos mais realistas.
Pra quem está de fora ou machucado, talvez o melhor aprendizado seja simples:
use projeções como insumo, não como ordem;
e trate Bitcoin como um ativo de alto risco que exige gestão de posição, de prazo e de expectativa — não como um bilhete premiado garantido.



