Em 2025, a CFTC mantém fraude em opções binárias e proteção ao cliente como prioridade, enquanto ações em Massachusetts e Nevada acusam prediction markets de operar apostas esportivas disfarçadas. Entenda os riscos e como se proteger.
Se você acha que o “boom” das opções binárias ficou lá em 2017, os reguladores americanos discordam totalmente.
Em 2025, a CFTC (regulador de derivativos dos EUA):
- ainda anuncia decisões de centenas de milhões de dólares em multas por esquemas globais de fraude em binárias;
- coloca “retail binary options fraud and customer protection” como tópico explícito da sua agenda no Prediction Markets Roundtable, ao lado de revisão de regras para event contracts (Part 38 e Part 40);
Ao mesmo tempo, estados como Massachusetts e Nevada processam plataformas de prediction markets (como a Kalshi) acusando-as de:
- operar apostas esportivas ilegais,
- sem licença de jogo e com marketing confuso,
- em produtos vendidos como “contratos de evento” ou “derivativos”.
Ou seja:
o “lado sujo” das binárias não sumiu –
ele está sendo reciclado dentro da moda de prediction markets e event contracts, principalmente em esportes.
No artigo, você vai ver:
- por que fraude em opções binárias continua prioridade da CFTC;
- como os golpes estão migrando para contratos de evento esportivos;
- e o que você pode fazer, como trader ou investidor, para não ser o próximo alvo.
1. Por que fraude em opções binárias ainda é prioridade da CFTC em 2025
1.1 O roundtable da CFTC: prediction markets + binary options no mesmo pacote
Em 5 de fevereiro de 2025, a CFTC publicou o press release nº 9046-25 anunciando o Prediction Markets Roundtable. No texto oficial, a agência deixa claro que o encontro iria tratar não só de:
- prediction markets e event contracts;
- possíveis revisões de regras de bolsa (Part 38) e de listagem de produtos (Part 40);
mas também de:
fraude em opções binárias de varejo e proteção do cliente
(“retail binary options fraud and customer protection”).
Em outras palavras: na cabeça do regulador, binárias de varejo e contratos de evento fazem parte da mesma família de risco.
Análises jurídicas sobre o tema reforçam que o objetivo do roundtable é construir um framework mais holístico para event contracts, que permita inovação, mas sem repetir o desastre das binárias vendidas como “ganho fácil” para leigo.
Mesmo com o encontro sendo adiado, o recado foi dado:
- a CFTC quer mudar de rota na regulação de event contracts;
- e isso inclui olhar diretamente para binary options fraud como algo a ser evitado na nova fase.
1.2 Multas recordes contra esquemas globais de binárias
Enquanto discute o futuro dos prediction markets, a CFTC continua limpando o histórico de golpes em binárias “tradicionais”.
Em 29 de janeiro de 2025, a Comissão anunciou que um tribunal federal ordenou que um grupo internacional ligado a marcas como BigOption, BinaryBook e BinaryOnline pagasse mais de US$ 451 milhões em restituição e penalidades civis por um esquema global de fraude em opções binárias que atingiu clientes de varejo, incluindo americanos.
O caso ilustra bem o roteiro clássico:
- empresas offshore, sem registro, oferecendo “investimentos” em binárias;
- marketing agressivo com promessa de retornos rápidos;
- “gestores de conta” operando sem autorização;
- e muita dificuldade (ou impossibilidade) de sacar o dinheiro.
No relatório de enforcement de 2024, a CFTC destaca que a proteção do varejo e o combate a fraudes em produtos alavancados continuam sendo foco da atuação da divisão de enforcement.
Ou seja:
mesmo com toda a conversa sobre IA, cripto e Web3,
fraude em opções binárias segue sendo um problema muito real para o regulador.
1.3 O que isso significa para o trader de varejo
Para você, brasileiro que olha esse cenário de fora, as mensagens são claras:
- Não subestime o risco de golpe em binárias
Se a CFTC ainda está derrubando esquemas de centenas de milhões em 2025, é porque o produto continua sendo usado para enganar desavisado. - “Registrado em algum lugar” não significa automaticamente seguro
Mesmo plataformas ligadas a estruturas reguladas podem ser usadas para empacotar produto de forma confusa ou irresponsável. - A linha entre “aposta” e “derivativo” é fina – e isso importa
A CFTC está tentando desenhar essa linha em nível federal, mas estados estão reagindo, principalmente quando o tema é esportes.
E é aqui que entra a reciclagem de golpes em prediction markets.
2. Do CALL/PUT às apostas de evento: como os golpes estão sendo reciclados
2.1 Massachusetts x Kalshi: “event contracts” como aposta esportiva ilegal
Em 12 de setembro de 2025, a procuradora-geral de Massachusetts, Andrea Joy Campbell, entrou com uma ação contra a KalshiEX LLC, uma plataforma de prediction markets registrada na CFTC.
Na ação e no press release oficial, o estado acusa a empresa de:
- operar uma casa de apostas esportivas ilegal sob o rótulo de “event contracts”;
- permitir que usuários a partir de 18 anos façam essas apostas, enquanto a lei estadual exige 21 anos para apostas esportivas online;
- não oferecer ferramentas adequadas de responsible gambling (autolimites, autoexclusão, avisos de risco);
- e não deixar claro para o consumidor a natureza real desses contratos.
A acusação central é direta:
os “event contracts” esportivos da plataforma seriam, na prática,
apostas em jogos mascaradas de produto financeiro.
A mídia jurídica destaca que Massachusetts quer uma decisão que:
- force a Kalshi a parar de oferecer esses contratos no estado;
- reconheça que se trata de operador de jogo sem licença;
- e imponha sanções e ressarcimentos.
2.2 Nevada x Kalshi: juízo federal dá vitória ao regulador de jogo
Se Massachusetts já era um problema, Nevada elevou o nível.
Em novembro de 2025, um juiz federal em Las Vegas (Andrew Gordon) decidiu que a Kalshi deve cumprir as regras de jogo do estado, dando ao regulador de gaming de Nevada liberdade para atuar contra a plataforma.
Na decisão, o juiz:
- derruba uma liminar anterior que protegia temporariamente a empresa;
- rejeita a tese de que, por ser supervisionada pela CFTC, a Kalshi estaria automaticamente livre das leis de jogo estaduais;
- afirma que os contratos esportivos em questão não se qualificam como “swaps” financeiros, mas se enquadram como apostas segundo a legislação de Nevada.
Análises na imprensa apontam que:
- a decisão é uma vitória importante para casas de apostas tradicionais (DraftKings, Flutter/FanDuel), que veem nas prediction markets um potencial concorrente;
- o caso aumenta a chance de o tema chegar à Suprema Corte dos EUA, dada a tensão entre jurisdição federal (CFTC) e poder dos estados sobre gambling.
2.3 Class action e pressão adicional: marketing confuso no alvo
Além dos reguladores, a Kalshi encara uma class action nacional que a acusa de:
- operar apostas esportivas sem licença;
- e enganar consumidores ao apresentar seus produtos como algo diferente de apostas, inclusive sugerindo que seriam mais “justos” ou “legais” que o betting tradicional.
O padrão fica claro:
- rótulo de “event contract” ou “prediction market”;
- estrutura econômica de aposta binária sim/não;
- marketing que explora essa ambiguidade para conquistar usuários.
Se isso soa familiar, é porque é exatamente o tipo de estratégia que você já viu em sites de binárias mal-intencionados:
mudar o nome do produto, mas manter a essência de aposta de alto risco vendida como “oportunidade financeira”.
3. O que o trader precisa entender sobre esse “novo velho risco”
3.1 O problema não é só o produto – é também a narrativa
Tanto nas binárias clássicas quanto nos event contracts esportivos, alguns elementos se repetem:
- payoff tudo-ou-nada em janelas curtas (minutos, horas, poucos dias);
- forte apelo emocional (preço de ativo, resultado de jogo, eleição, CPI, etc.);
- discurso que oscila entre “investimento” e “entretenimento”, conforme interessa para marketing e regulação.
A CFTC, nas análises sobre event contracts, enfatiza justamente essa preocupação: como construir um regime que permita “information markets” legítimos, mas proteja o varejo de fraudes similares às de binary options – incluindo venda enganosa e abuso comercial.
Para o trader, o ponto é simples:
não é porque o contrato se chama “evento” em vez de “CALL/PUT”
que o risco de perda total e de marketing tóxico desaparece.
3.2 Como os golpes se adaptam à nova roupagem
O “golpe raiz” em binárias geralmente combina:
- promessa de ganho alto e rápido;
- baixa transparência sobre quem é a contraparte;
- e obstáculos na hora do saque.
Na versão event contract/prediction market, o roteiro se atualiza:
- promessa de que o produto é “diferente de aposta” (ou mais “inteligente”);
- foco em temas quentes (esportes, política, macro) para gerar FOMO;
- pouco destaque à natureza binária e à chance de perda total;
- e, em alguns casos, dúvidas sobre licenças de jogo e enquadramento regulatório.
Quando você junta isso com o fato de que a CFTC ainda está derrubando esquemas gigantes de fraude em opções binárias, fica claro que:
a galera que vive de enganar varejo não largou o osso –
só aprendeu a usar uma embalagem mais moderna.
4. Como se proteger: checklist prático para binárias e prediction markets
4.1 Sinais de alerta (red flags) que você deve levar a sério
Com base no histórico de ações da CFTC e nos processos contra prediction markets, dá pra montar um checklist rápido:
- Promessa de ganhos fáceis e consistentes
- “Ganhe até 90% em minutos”, “renda extra garantida com eventos esportivos”.
- Conteúdo sério fala de risco, volatilidade e possibilidade de perda total, não de garantias.
- Regulação vaga ou não verificável
- Selos genéricos de “fully regulated”, sem link para registro concreto em órgão como CFTC, FCA, etc.
- Nada de número de licença ou jurisdição clara.
- Foco em recrutamento, não em educação
- “Gerentes de conta” que insistem para você depositar mais.
- Pouco material explicando payoff, risco, oráculos, regras de liquidação.
- Marketing ambíguo
- Quando convém, o produto é “investimento sofisticado”;
- quando convém, é “só entretenimento”, minimizando a gravidade das perdas.
- Histórico de ações ou investigações
- Notícias de AGs estaduais, reguladores ou ações coletivas já são um baita sinal de alerta.
- Um simples Google do nome da plataforma + “lawsuit”/“fraud”/“AG” já derruba muito golpe.
4.2 Boas práticas mínimas para quem insiste em operar esses produtos
Se, mesmo assim, você quiser operar opções binárias ou event contracts:
- Limite a exposição
Trate como produto especulativo de alto risco, não como plano de aposentadoria. Use só uma pequena fração do capital. - Verifique a licença na fonte
Se a plataforma diz ser supervisionada pela CFTC ou outro regulador, confira no site oficial. Nada de confiar só no banner bonito. - Leia as regras do jogo
Em contratos de evento, entenda como o resultado é definido (fonte de dados, oráculo, o que acontece se o evento for adiado, etc.). - Fuia de “sinais milagrosos”
Robôs, grupos de Telegram com “acerto absurdo” e promessas de alta precisão tendem a ser parte do problema, não da solução.
E, principalmente:
se uma plataforma precisa esconder o risco real pra vender o produto,
é porque ela está mais preocupada em extrair valor de você do que em oferecer um mercado saudável.
FAQ – Fraude em binárias e golpes em prediction markets (para rich snippet)
1. A CFTC ainda se preocupa com fraude em opções binárias em 2025?
Sim.
A CFTC não só continua anunciando grandes casos de fraude em opções binárias, como também incluiu “retail binary options fraud and customer protection” como tópico-chave no seu Prediction Markets Roundtable, ao lado de mudanças nas regras para event contracts (Part 38 e 40).
2. Prediction markets esportivos são mais seguros do que opções binárias tradicionais?
Não necessariamente.
- Tecnicamente, alguns operam sob supervisão da CFTC como exchanges de derivativos.
- Mas estados como Massachusetts e Nevada acusam essas plataformas de operar apostas esportivas ilegais, sem licença adequada, e com marketing confuso.
O payoff continua sendo binário (sim/não, tudo-ou-nada), com alto risco de perda total em cada operação.
3. Como golpes em opções binárias estão sendo reciclados em event contracts?
De várias formas:
- mudando o rótulo de CALL/PUT para “contratos de evento” ou “prediction markets”;
- migrando o foco de ativos financeiros para esportes, política, macro, mas mantendo a lógica de aposta;
- vendendo esses produtos como algo mais “justo” ou “sofisticado” do que apostas esportivas comuns, mesmo com risco parecido.
4. O que significa a decisão de Nevada contra a Kalshi para o mercado?
A decisão do juiz federal em Nevada significa que:
- a Kalshi precisa cumprir as leis de jogo do estado para oferecer contratos ligados a esportes;
- registro na CFTC não é suficiente para escapar da supervisão estadual em temas de gambling.
Isso reforça a ideia de que event contracts esportivos podem ser tratados como apostas, não apenas como derivativos.
5. Como posso me proteger de fraude em opções binárias e prediction markets?
Alguns passos práticos:
- usar apenas uma fração pequena do capital nesses produtos;
- verificar a licença diretamente no site do regulador (CFTC, FCA, etc.);
- desconfiar de promessas de ganhos rápidos e garantidos;
- fugir de plataformas com histórico de ações de enforcement ou processos;
- priorizar educação e gestão de risco em vez de “atalhos”.
Conclusão: a moda muda, o risco continua – e a proteção depende de você
Em 2025, o cenário é mais ou menos assim:
- a CFTC tenta construir um novo arcabouço para prediction markets e event contracts, mas deixa claro que fraude em opções binárias de varejo e proteção ao cliente são peças centrais dessa discussão;
- estados como Massachusetts e Nevada não hesitam em chamar contratos de evento esportivos de apostas ilegais, processando plataformas e parceiros e questionando o marketing usado;
- golpes que antes estavam concentrados em “sitezinho de binárias” agora aparecem com cara de produto financeiro 3.0, mas com o mesmo objetivo: extrair dinheiro de quem não entende o risco.
Para o investidor brasileiro que quer sobreviver nesse ambiente, três pilares são fundamentais:
- Ler além do marketing
Entender payoff, risco, regulação e histórico da plataforma. - Tratar binárias/event contracts como especulação de alto risco
Nunca como renda garantida, nem como peça central da carteira. - Buscar fontes sérias de informação
Acompanhar o que CFTC, AGs estaduais e imprensa especializada estão dizendo sobre esses produtos – não só o que o influenciador do momento vende.



